{"id":993,"date":"2026-05-13T11:22:04","date_gmt":"2026-05-13T11:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/?p=993"},"modified":"2026-05-13T11:22:04","modified_gmt":"2026-05-13T11:22:04","slug":"stj-absolve-diretor-acusado-de-receptacao-e-reforca-vedacao-a-responsabilidade-penal-objetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/2026\/05\/13\/stj-absolve-diretor-acusado-de-receptacao-e-reforca-vedacao-a-responsabilidade-penal-objetiva\/","title":{"rendered":"STJ absolve diretor acusado de recepta\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade penal objetiva"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"97\" data-end=\"535\">A 5\u00aa turma do <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/span><\/span> absolveu um empres\u00e1rio condenado por recepta\u00e7\u00e3o qualificada de cabos de telecomunica\u00e7\u00e3o ao entender que a condena\u00e7\u00e3o foi fundamentada apenas no fato de ele ocupar o cargo de diretor comercial da empresa investigada. Para o colegiado, n\u00e3o houve demonstra\u00e7\u00e3o de conduta concreta, individualizada e dolosa que vinculasse o acusado ao crime, sendo vedada a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal objetiva.<\/p>\n<p data-start=\"537\" data-end=\"903\">A decis\u00e3o foi proferida no julgamento do AREsp 3.085.111 e representa importante precedente sobre os limites da responsabilidade criminal de s\u00f3cios, diretores e administradores de empresas. A tese vencedora refor\u00e7a que a simples posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica dentro de uma pessoa jur\u00eddica n\u00e3o basta para justificar condena\u00e7\u00e3o penal sem prova efetiva de participa\u00e7\u00e3o no delito.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"110g2jw\" data-start=\"905\" data-end=\"941\">Entenda o caso analisado pelo STJ<\/h2>\n<p data-start=\"943\" data-end=\"1212\">Segundo os autos, cabos de fibra \u00f3tica supostamente destinados \u00e0 <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Embratel<\/span><\/span> foram encontrados instalados nas depend\u00eancias do <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Banco do Nordeste<\/span><\/span>, cliente da empresa ligada ao acusado, que atuava no setor de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"1214\" data-end=\"1538\">A investiga\u00e7\u00e3o apontou que o material possu\u00eda identifica\u00e7\u00e3o da empresa respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o e que parte dos cabos apresentava o nome da Embratel raspado. O Minist\u00e9rio P\u00fablico sustentou que o empres\u00e1rio deveria responder pelo crime de recepta\u00e7\u00e3o qualificada em raz\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o como diretor comercial da companhia.<\/p>\n<p data-start=\"1540\" data-end=\"1765\">A defesa, por sua vez, argumentou que o acusado exercia fun\u00e7\u00f5es exclusivamente comerciais, voltadas ao relacionamento com clientes, sem participa\u00e7\u00e3o em compras, log\u00edstica, infraestrutura t\u00e9cnica ou instala\u00e7\u00e3o de equipamentos.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"15qmioo\" data-start=\"1767\" data-end=\"1813\">Relator votou pela manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p data-start=\"1815\" data-end=\"2128\">O relator do caso, ministro <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Messod Azulay Neto<\/span><\/span>, votou pelo n\u00e3o provimento do recurso da defesa. Segundo ele, a condena\u00e7\u00e3o estava baseada em elementos concretos produzidos nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, como laudos periciais, depoimentos e aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o fiscal da origem regular dos cabos.<\/p>\n<p data-start=\"2130\" data-end=\"2316\">Para o ministro, modificar a conclus\u00e3o adotada pelo tribunal de origem exigiria reexame aprofundado do conjunto f\u00e1tico-probat\u00f3rio, medida vedada em recurso especial pela S\u00famula 7 do STJ.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"1haajvf\" data-start=\"2318\" data-end=\"2379\">Diverg\u00eancia reconheceu aus\u00eancia de conduta individualizada<\/h2>\n<p data-start=\"2381\" data-end=\"2492\">A diverg\u00eancia foi aberta pelo ministro <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Joel Ilan Paciornik<\/span><\/span>, cujo voto prevaleceu na 5\u00aa turma.<\/p>\n<p data-start=\"2494\" data-end=\"2791\">O magistrado afirmou que o ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio n\u00e3o descreveu nenhuma a\u00e7\u00e3o concreta atribu\u00edda ao empres\u00e1rio, tampouco indicou que ele tivesse autorizado a compra dos cabos, participado de negocia\u00e7\u00f5es com fornecedores, supervisionado a instala\u00e7\u00e3o ou tido conhecimento da origem il\u00edcita do material.<\/p>\n<p data-start=\"2793\" data-end=\"3039\">Segundo o ministro, a condena\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda com base em uma l\u00f3gica incompat\u00edvel com o Direito Penal: os funcion\u00e1rios da empresa instalaram os cabos, o acusado era diretor comercial e, por isso, deveria responder criminalmente pela recepta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"3041\" data-end=\"3228\">Para Joel Paciornik, esse racioc\u00ednio viola diretamente o princ\u00edpio da culpabilidade e caracteriza hip\u00f3tese de responsabilidade penal objetiva, vedada pelo ordenamento jur\u00eddico brasileiro.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"2q0qex\" data-start=\"3230\" data-end=\"3284\">Cargo de diretor n\u00e3o autoriza condena\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica<\/h2>\n<p data-start=\"3286\" data-end=\"3458\">No voto vencedor, o ministro destacou que ningu\u00e9m pode ser responsabilizado criminalmente apenas por ocupar cargo de dire\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o ou sociedade em empresa privada.<\/p>\n<p data-start=\"3460\" data-end=\"3698\">Conforme ressaltado no julgamento, os documentos societ\u00e1rios demonstravam que o acusado n\u00e3o possu\u00eda poderes deliberativos relacionados \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de materiais, contrata\u00e7\u00e3o de fornecedores ou gest\u00e3o da infraestrutura t\u00e9cnica da companhia.<\/p>\n<p data-start=\"3700\" data-end=\"3897\">A decis\u00e3o refor\u00e7a entendimento relevante para o Direito Penal Empresarial: a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal exige prova individualizada da conduta, do dolo e do nexo entre o acusado e o fato criminoso.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"cqgtjy\" data-start=\"3899\" data-end=\"3950\">STJ afastou invers\u00e3o autom\u00e1tica do \u00f4nus da prova<\/h2>\n<p data-start=\"3952\" data-end=\"4047\">Outro ponto importante do julgamento envolveu a discuss\u00e3o sobre a posse do material apreendido.<\/p>\n<p data-start=\"4049\" data-end=\"4320\">A jurisprud\u00eancia do STJ admite, em determinados casos de recepta\u00e7\u00e3o, que o acusado demonstre a origem l\u00edcita do bem quando ele \u00e9 encontrado em sua posse direta. No entanto, Joel Paciornik entendeu que essa l\u00f3gica n\u00e3o poderia ser aplicada automaticamente ao caso concreto.<\/p>\n<p data-start=\"4322\" data-end=\"4469\">Isso porque os cabos n\u00e3o estavam em posse pessoal do empres\u00e1rio, mas instalados em ambiente vinculado ao cliente da empresa prestadora de servi\u00e7os.<\/p>\n<p data-start=\"4471\" data-end=\"4707\">Para o ministro, transformar a posse da pessoa jur\u00eddica em posse individual do diretor representaria interpreta\u00e7\u00e3o extensiva prejudicial ao r\u00e9u, incompat\u00edvel com os princ\u00edpios da legalidade estrita e da responsabilidade penal subjetiva.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"14my8ww\" data-start=\"4709\" data-end=\"4765\">Absolvi\u00e7\u00e3o foi baseada na falta de provas suficientes<\/h2>\n<p data-start=\"4767\" data-end=\"5026\">Ao final, a 5\u00aa turma do STJ deu parcial provimento ao agravo regimental para absolver o empres\u00e1rio da acusa\u00e7\u00e3o de recepta\u00e7\u00e3o qualificada, com fundamento no artigo 386, inciso VII, do C\u00f3digo de Processo Penal, diante da insufici\u00eancia de provas para condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"5028\" data-end=\"5214\">A decis\u00e3o foi acompanhada pelos demais ministros do colegiado e refor\u00e7a a necessidade de individualiza\u00e7\u00e3o da conduta em processos criminais envolvendo empresas e dirigentes corporativos.<\/p>\n<p data-start=\"5216\" data-end=\"5245\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\"><strong data-start=\"5216\" data-end=\"5229\">Processo:<\/strong> AREsp 3.085.111<\/p>\n<p data-start=\"2654\" data-end=\"2930\"><span dir=\"auto\">\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2013<\/span><\/p>\n<p data-start=\"3990\" data-end=\"4210\"><span dir=\"auto\">siga-nos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/alexandrelourencoadv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span dir=\"auto\">https:\/\/www.instagram.com\/alexandrelourencoadv\/<\/span><\/a><\/p>\n<p data-start=\"3990\" data-end=\"4210\"><span dir=\"auto\">veja outras not\u00edcias:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/noticias\/\"><span dir=\"auto\">https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/noticias\/<\/span><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 5\u00aa turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a absolveu um empres\u00e1rio condenado por recepta\u00e7\u00e3o qualificada de cabos de telecomunica\u00e7\u00e3o ao entender que a condena\u00e7\u00e3o foi fundamentada apenas no fato de ele ocupar o cargo de diretor comercial da empresa investigada. Para o colegiado, n\u00e3o houve demonstra\u00e7\u00e3o de conduta concreta, individualizada e dolosa que vinculasse o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[384,382,364,19,376,371,340,367,369,372,306,363,365,380,379,370,100,366,374,96,381,377,362,368,361,383,375,175,378,373],"class_list":["post-993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-5a-turma-do-stj","tag-absolvicao-criminal","tag-absolvicao-de-empresario","tag-advogado-criminalista","tag-aresp-3-085-111","tag-codigo-de-processo-penal","tag-codigo-penal","tag-crime-de-receptacao","tag-culpabilidade","tag-decisao-stj","tag-direito-empresarial","tag-direito-penal-empresarial","tag-diretor-comercial","tag-dolo","tag-empresa-de-telecomunicacao","tag-individualizacao-da-conduta","tag-jurisprudencia-penal","tag-jurisprudencia-stj","tag-noticia-juridica","tag-processo-penal","tag-prova-insuficiente","tag-receptacao-de-cabos","tag-receptacao-qualificada","tag-responsabilidade-criminal-de-socio","tag-responsabilidade-penal-objetiva","tag-responsabilidade-subjetiva","tag-responsabilizacao-penal","tag-stj","tag-telecomunicacoes","tag-tribunal-superior"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=993"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":996,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions\/996"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrelourencoadvocacia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}