Operação Dataleaks apura organização criminosa suspeita de acessar ilegalmente bancos de dados e comercializar informações sensíveis ligadas a ministros do Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Dataleaks, que investiga a venda e o uso ilegal de dados pessoais ligados a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação busca desarticular uma organização criminosa suspeita de obter, adulterar e comercializar informações sensíveis a partir de acessos indevidos a sistemas oficiais.
De acordo com a investigação, o grupo mantinha uma base clandestina de dados, alimentada por registros extraídos de bancos governamentais e privados. As informações também teriam sido obtidas por meio de acessos irregulares a sistemas institucionais.
Mandados de prisão e busca em três Estados
Com autorização do STF, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas.
Segundo a PF, além de acessar os dados de forma ilegal, os investigados também alteravam registros e comercializavam as informações no mercado clandestino.
Os suspeitos poderão responder por diversos crimes, entre eles:
organização criminosa
invasão de dispositivo informático
furto qualificado mediante fraude
corrupção de dados
lavagem de dinheiro
A investigação continua para identificar a dimensão do vazamento de dados e possíveis conexões com outros esquemas de obtenção ilegal de informações sensíveis.
Investigação começou após suspeita de acesso a dados da Receita Federal
Em fevereiro, a Polícia Federal já havia iniciado uma ofensiva para apurar suposto acesso indevido a dados da Receita Federal envolvendo ministros do STF e seus familiares. Na ocasião, quatro servidores foram alvo de medidas investigativas.
O procedimento foi instaurado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou a abertura de investigação para verificar possível vazamento de informações sigilosas de integrantes da Corte e de familiares, tanto na Receita Federal quanto no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Contexto da investigação
O avanço das apurações ocorreu após desdobramentos de reportagem que mencionava um contrato entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a informação divulgada em dezembro, o contrato poderia alcançar R$ 131,3 milhões ao longo de três anos.
As autoridades agora buscam esclarecer se houve uso ou circulação irregular de dados sigilosos envolvendo autoridades e familiares.
Fonte: Migalhas
