Função do inventariante em empresas exige cautela jurídica, especialmente em decisões que impactam patrimônio e estrutura societária
O papel do inventariante no processo de inventário vai muito além de uma função burocrática. Quando o espólio inclui participação em sociedades empresárias, surgem limites legais importantes que restringem sua atuação, especialmente em decisões estratégicas.
O inventário é o procedimento responsável por identificar e dividir os bens deixados por uma pessoa falecida. Durante esse período, o inventariante assume a administração temporária do espólio, devendo preservar o patrimônio até a partilha entre os herdeiros.
Inventariante não é dono: entenda a função
Embora tenha poderes de gestão, o inventariante não atua como proprietário dos bens. Sua função é administrar e representar o espólio, sempre com foco na conservação patrimonial.
De acordo com o Código de Processo Civil, o inventariante deve agir com o mesmo cuidado que teria com seus próprios bens, mas não pode tomar decisões que ultrapassem a administração ordinária.
Participação societária no inventário gera desafios
Quando o falecido era sócio de uma empresa, suas quotas ou ações passam a integrar o espólio. Nesse cenário, o inventariante passa a representar essa participação societária, mas não se torna sócio.
Na prática, isso significa que ele pode participar de reuniões e assembleias, desde que suas decisões estejam dentro dos limites da gestão conservadora.
O que o inventariante pode e não pode fazer
A jurisprudência brasileira estabelece uma divisão clara entre atos permitidos e vedados:
Atos permitidos
- pagamento de tributos e despesas
- manutenção das atividades da empresa
- decisões urgentes para evitar prejuízos
- administração cotidiana dos bens
Atos que exigem autorização judicial
- venda de ativos relevantes
- aumento de endividamento da empresa
- alteração da estrutura societária
- mudança no controle da empresa
Essas ações são consideradas atos de disposição e podem afetar diretamente os interesses dos herdeiros.
Conflito de interesses é risco comum
A situação se torna mais delicada quando o inventariante também é herdeiro e sócio da empresa. Nesse caso, ele pode exercer influência dupla nas decisões societárias.
A legislação e a jurisprudência exigem postura neutra, impedindo que o inventariante utilize sua posição para obter vantagens pessoais ou prejudicar outros herdeiros.
Segurança jurídica e limites de atuação
Especialistas apontam que a atuação do inventariante deve ser guiada pela previsibilidade e pela proteção do patrimônio. Decisões estratégicas devem ser submetidas ao Judiciário e aos demais herdeiros, evitando riscos jurídicos.
A delimitação desses limites é essencial para garantir segurança nas relações empresariais e evitar disputas durante o processo de sucessão.
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