Gerontocídio: Câmara aprova projeto que cria crime específico para assassinato de idosos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3) um projeto de lei que cria no Código Penal o crime de gerontocídio, termo utilizado para definir o assassinato de pessoas idosas. A proposta estabelece pena de 20 a 40 anos de reclusão e classifica o delito como crime hediondo.

O texto aprovado corresponde ao Projeto de Lei 4716/25, de autoria do deputado Castro Neto (PSD-PI), com substitutivo apresentado pelo relator Ossesio Silva (Republicanos-PE). Após a aprovação na Câmara, a proposta segue agora para análise do Senado Federal.

Caso seja aprovado também pelos senadores e sancionado pela Presidência da República, o gerontocídio passará a integrar o Código Penal como um novo tipo penal voltado à proteção da pessoa idosa.

                               

O que é o crime de gerontocídio

O projeto define gerontocídio como o assassinato de pessoa com 60 anos ou mais, quando a morte está relacionada à vulnerabilidade da vítima em razão da idade.

Segundo o relator da proposta, a criação de uma tipificação própria busca dar maior visibilidade à violência contra idosos, de forma semelhante ao que ocorreu com o feminicídio, que passou a ter previsão específica na legislação penal.

De acordo com Ossesio Silva, tratar esses casos apenas como homicídio comum pode ocultar a gravidade da violência direcionada a pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Qual será a pena para gerontocídio

Se a proposta virar lei, o crime de gerontocídio terá pena de:

20 a 40 anos de reclusão.

Além disso, o projeto estabelece que o crime será considerado hediondo, o que implica consequências jurídicas mais severas para o condenado.

Nos crimes hediondos:

  • não há possibilidade de anistia, graça ou indulto

  • não é permitido pagamento de fiança

  • o cumprimento inicial da pena ocorre em regime fechado

  • as regras para progressão de regime são mais rígidas

Para réus primários, a proposta prevê que será necessário cumprir 55% da pena em regime fechado antes da progressão para o regime semiaberto.


Situação atual da lei sobre homicídio contra idoso

Entendendo o impacto do gerontocídio na sociedade

Atualmente, o Código Penal brasileiro já prevê aumento de pena quando o homicídio é praticado contra pessoa idosa.

Nesses casos, a pena do homicídio doloso pode ser agravada, passando do intervalo padrão de 6 a 20 anos para até 26 anos e 8 meses de reclusão.

Com a criação do gerontocídio, o assassinato de idosos deixaria de ser apenas uma circunstância agravante e passaria a ser um crime específico, com pena mais elevada desde o início.

Casos em que a pena poderá ser ainda maior

O projeto também prevê aumento de pena em diversas situações consideradas mais graves, como quando o crime é cometido:

  • contra idosos com deficiência ou doenças degenerativas

  • por milícia privada ou grupo de extermínio

  • por encomenda

  • por motivo torpe ou fútil

  • com uso de veneno, fogo, explosivos ou tortura

  • por emboscada ou traição

  • para garantir vantagem ou ocultação de outro crime

  • com arma de fogo de uso restrito ou proibido

Nessas hipóteses, a pena poderá ultrapassar 50 anos de reclusão, conforme os cálculos previstos no projeto.

Projeto também aumenta pena para homicídio culposo

A proposta aprovada pela Câmara também altera a punição para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

A pena atualmente prevista de 1 a 3 anos de detenção passará para 2 a 6 anos.

Continuam válidas as hipóteses de aumento de pena já previstas em lei, como:

  • descumprimento de regra técnica profissional

  • omissão de socorro

  • tentativa de fuga para evitar prisão em flagrante

Proteção penal à pessoa idosa

O debate sobre a criação do crime de gerontocídio ocorre em um contexto de envelhecimento da população brasileira e aumento das discussões sobre violência contra idosos.

Durante a votação, parlamentares destacaram que a legislação penal precisa acompanhar essa realidade, garantindo maior proteção jurídica às pessoas com mais de 60 anos.

O projeto segue agora para tramitação no Senado Federal, etapa necessária antes da eventual sanção presidencial.

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